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quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Mais música!


Antes de falar algo sério, sobre teorias de tradução e etc., por que não ouvir um pouco mais de boa música? Hoje me lembrei de uma música brasileira que ficou muito bonita em italiano: Samba em prelúdio, de Vinícius. Apesar do título literal Samba in preludio, as alterações feitas na letra não só se encaixaram perfeitamente na melodia, como também mantiveram o ritmo do poema. A versão italiana é extremamente musical, algumas metáforas foram mudadas, mas as suas intenções continuaram sendo praticamente as mesmas. Infelizmente o campo sem flores acabou deserto, a palavra desamor se perdeu e a solidão virou tristeza. Porém, acredito que essas perdas são inevitáveis em qualquer tradução e não merecem se transformar em críticas contra o tradutor (Bardotti), aliás, deve-se, inclusive, elogiá-lo por um grande trunfo: o verso Sem você, meu amor, eu sou ninguém, que em italiano não teria tanta sonoridade, principalmente por causa da última palavra (Senza te, amor mio, io non sono nessuno) transformou-se em Ho paura di vivere senza te. Na versão original, Vinícius rimou este verso com as palavras vem e além; na versão italiana, o tradutor rimou com me e com'è. É verdade que è não rima com te, mas percebam a astúcia de quem canta, que sempre fecha um pouco sua pronúncia, para forçar um pouco a rima. Bem, eu considero uma boa tradução, apesar dos pesares. Para que formem uma opinião, fiquem agora com Toquinho e Ornella Vanoni e fijam que não ouviram o chiado de Toquinho na palavra tristezza.

Samba in preludio

Io senza te
Ho perso anche me
Perchè senza te
Mi manca un perchè
Io sono una fiamma
E luce non dò
Io sono una barca
E mare non ho
Perchè sensa te
Rinnego l'amore
Uccido la vita
E canto il dolore
Tristezza che va
In cerca di me
Ho paura di vivere senza te

Ah, che bei giorni
I ricordi mi fanno sentire meno sola
Ho tanta voglia
Tanta voglia di averti con me
Le mie mani han bisogno di te
Ma sono triste
Non ha niente da darmi la vita com'e
La vita esiste
Ma ho paura di vivere senza te.



quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Músicas...


Quantas vezes você já ouviu alguma melodia de música estrangeira com a letra em português? E quantas vezes seu ouvido já doeu por conhecer a versão original e ver como a nova letra ficou horrível? Nossa, o meu dói o tempo inteiro. Sempre que estou na parada, esperando um ônibus, minha espera é embalada por uma belíssima trilha sonora que se resume ao forró. Se bem que, até alguns dias após a morte de Michael Jackson, era só ele que tocava. Pois é, estou falando daqueles carrinhos que vendem CDs piratas, os vendedores fazem questão de instalar um som para apresentar a sua mercadoria. É através deles e dos meus alunos que fico conhecendo as músicas do momento.
Outro dia estava lá, tranqüilo e satisfeito, quando começo a escutar: "Gira o mundo, gira / no espaço infinito / bla bla bla bla" em ritmo de forró. Eu pensei: "Não! Fizeram isso com um dos clássicos italianos! Que maldade!" Infelizmente não consegui a letra para mostrar a vocês, mas garanto que ficou horrível, que só reconheci pela melodia e por essas duas frases e sei que vocês não farão muito esforço para acreditar em mim. Meu dia mudou, fiquei arrasado pensando em quais seriam as próximas vítimas. Será que já não bastavam as versões de Sandy & Júnior?
Decidi que faria o estrago ao contrário: passei a traduzir as músicas que ouvia na parada para o inglês ou outra língua. "Duuust! Duuust! Duuust! It raised duust!" Essa foi só o início. Passei a fazer esse tipo de exercício com os meus alunos, mas eles nunca gostaram muito, o que me surpreendeu pela falta de curiosidade. Independente deles, sempre estou traduzindo mentalmente alguma música. É claro que não são apenas as músicas do momento, gosto de traduzir Chico Buarque, por exemplo. Falando nele, seus discos em italiano são excelentes. A tradução que mais aprecio é a de Roda Viva, que ficou Rotativa, em italiano. É óbvio que existem versões muito bem escritas, mas essas não escutamos em paradas...